Cirurgia pode não melhorar a sobrevida em mulheres com carcinoma ductal in situ de baixo grau

MBE em Foco - Volume 3, Issue 17

Referência - JAMA Surg 2015 Jun 3 early online (evidência de nível 2 [médio])

Com o aumento da prevalência da realização de mamografias para o rastreamento do câncer de mama houve um aumento nos diagnósticos de carcinoma ductal in situ (DCIS), um espectro de células anormais nos ductos mamários que não invadem os tecidos circundantes (NIH Consens State Sci Statements 2009 Sep 24;26(2):1). O DCIS está associado a um risco aumentado de câncer de mama invasivo, mas também está associado a um baixo risco de mortalidade específica por câncer de mama (Arch Intern Med 2000 Apr 10;160(7):953, Am J Surg 2006 Oct;192(4):416). Embora as recomendações atuais sugiram que o tratamento do DCIS primário deve incluir a lumpectomia associada à radioterapia da mama inteira (National Comprehensive Cancer Network (NCCN) guideline, Ann Oncol 2011 Sep;22 Suppl 6:vi12), as grandes diferenças de patologia dos DCIS estão associadas a riscos diferentes de carcinoma invasivo. Um estudo de coorte retrospectivo recente avaliou o efeito da cirurgia na sobrevida em 57.222 mulheres diagnosticadas com carcinoma ductal in situ entre 1988 e 2011 no banco de dados do programa SEER (Surveillance, Epidemiology, and End Results), dos EUA.

Noventa e oito por cento das mulheres foram tratadas cirurgicamente, das quais 61% tiveram uma mastectomia parcial e 29% tiveram uma mastectomia total. Dentre os 2% das mulheres não tratadas cirurgicamente, 46,8% não tiveram recomendação médica para a cirurgia e 9,8% recusaram a cirurgia, mesmo recebendo recomendação médica. Uma grande porcentagem de mulheres (40,9%) não submetidas a cirurgias receberam recomendação médica para tal, mas as razões de a cirurgia não ter sido realizada não foram conhecidas. Durante o período de acompanhamento médio de 72 meses, 1% das mulheres morreram de câncer de mama e 6,4% morreram de outras causas. Uma análise ajustada pelo escore de propensão foi realizada para equilibrar as características basais das pacientes entre os grupos cirúrgico e não-cirúrgico. Nesta análise, a sobrevida em 10 anos específica em relação ao câncer de mama foi estimada em 98,5% com a cirurgia e 93,4% sem cirurgia (p = 0,003). Estes resultados, no entanto, não foram consistentes entre todos os graus nucleares de DCIS. Enquanto as mulheres com alto grau ou de grau intermediário de DCIS tiveram suas sobrevidas significativamente aumentadas com a cirurgia em comparação com a sua não realização (98,4% vs. 90,5% para DCIS de alto grau, p <0,001 e 98,6% vs. 94,6% para DCIS de grau médio, p < 0,001), não houve diferença significativa nas sobrevidas específicas para o câncer de mama em mulheres com DCIS de baixo grau (98,6% vs. 98,8%). Resultados consistentes com estes foram encontrados na análise de sobrevida geral estimada em 10 anos.

Embora este estudo seja apenas uma análise retrospectiva de um banco de dados governamental, ele é significativo porque incluiu um grande número de mulheres que não foram tratadas com cirurgia, embora elas tenham representado uma pequena porcentagem do total. Dada a natureza observacional do estudo, não é de se surpreender que as características basais das mulheres não tenham sido bem equilibradas entre os grupos cirúrgico e não-cirúrgico, mas análises ponderadas dos escores de propensão foram usadas para ajustar essas diferenças. Descobriu-se que a cirurgia aumenta de maneira significativa a sobrevida em mulheres com graus intermediário a alto de DCIS, em linha com as recomendações atuais. No entanto, a falha da cirurgia em aumentar a sobrevida em mulheres com DCIS com baixo grau sugere que tratamentos menos invasivos podem ser uma opção adequada para este subgrupo. Outros estudos, prospectivos, são necessários para determinar o melhor curso de tratamento para as mulheres com DCIS de baixo grau.

Para mais informações, veja o tópico Carcinoma ductal in situ na DynaMed.


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