Estender o repouso estrito de 1-2 dias para 5 dias pode não melhorar sintomas em crianças com concussões leves

MBE em Foco - Volume 2, Issue 15

Referência: Pediatrics 2015 Jan 5 early online (evidência de nível 2 [médio])

Idas a serviços de emergência devido a concussões e lesões cerebrais traumáticas têm aumentado nos Estados Unidos nos últimos anos (JAMA 2014 May 14;311(18):1917). Houve um aumento de 60% em lesões esportivas em crianças nos últimos 10 anos (MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2011 Oct 7;60(39):1337). Lesões novas ocorridas durante o processo de recuperação podem ter consequências significativas e, portanto, recomenda-se o repouso para se evitarem novas lesões e permitir a recuperação total (Pediatrics 2009 Jan;123(1):114, Br J Sports Med 2013 Apr;47(5):250). No entanto, faltam informações sobre qual a duração ideal do repouso, especialmente para as crianças. Um rigoroso estudo randomizado recente comparou o repouso durante 5 dias com os cuidados habituais em 99 pacientes com idades entre 11 e 22 anos (idade média de 14 anos, 34% do sexo feminino) que se apresentaram em um serviço de emergência pediátrica no prazo de 24 horas de uma concussão ou lesão cerebral traumática leve. Setenta e um por cento das lesões foram relacionadas a atividades esportivas.

O repouso estrito foi definido como ausência da escola, trabalho ou atividade física seguida de um retorno gradual às atividades normais. Em relação aos pacientes randomizados para os cuidados habituais, os médicos foram orientados a recomendar restrições de atividades conforme considerassem apropriadas, o que na maioria dos casos significou repousos de 1 a 2 dias, seguidas de um retorno gradual à atividade após a resolução dos sintomas. Todos os pacientes receberam alta do departamento de emergência após avaliações neurocognitivas, de equilíbrio e de sintomas e foram convidados a preencher um diário de atividades, incluindo uma escala padronizada Post-Concussive Symptoms Scale (PCSS) por 10 dias após a lesão. A PCSS avalia 19 sintomas em 4 domínios (físico, cognitivo, emocional e sono), cada um em uma escala de 0 a 6, com a maior pontuação indicando maior gravidade e, neste estudo, a resolução dos sintomas definida como pontuação total da PCSS ≤ 7. A análise do ensaio incluiu somente os pacientes que completaram os 10 dias de acompanhamento (89%). Não houve diferença significativa na atividade física entre os grupos durante os primeiros 5 dias pós-lesão mas, no entanto, o grupo do repouso rigoroso relatou menos horas totais de atividade mental moderada a alta nos dias 2 a 5 (média de 4,86 horas com repouso estrito versus 8.33 horas com os cuidados habituais, p = 0,03). Embora não tenha havido diferença significativa nos números de pacientes que relataram resolução dos sintomas no dia 10 pós-lesão, o tempo médio para resolução dos sintomas foi de 7 dias com o repouso estrito versus. 4 dias com os cuidados habituais (p = 0,08). O grupo do repouso rigoroso também relatou um total significativamente maior de pontuações na PCSS (média de 187,9 versus 131,9, p

<0,03) e um maior número total de sintomas pós-concussão (média de 70,4 vs. 50,2) durante o período de 10 dias do estudo, em comparação com o grupo que recebeu o tratamento usual. Não houve diferenças significativas entre os grupos nos testes neurocognitivos ou de equilíbrio aos dias 3 e 10. Este ensaio sugere que pode não haver nenhum benefício em recomendar períodos prolongados de repouso rigoroso para crianças após concussões ou lesões cerebrais traumáticas leves. Na verdade, as crianças que receberam recomendação de repouso prolongado relataram mais sintomas. O período maior de repouso pode ter influenciado a percepção de doença ou causado maior sofrimento emocional devido à ausência na escola e demais atividades. Os pacientes do grupo do repouso estrito foram ligeira mas significativamente mais velhos do que as crianças do grupo de cuidados habituais, e essa diferença de idade pode ter influenciado o relato dos sintomas. Os resultados deste estudo podem não se aplicar a crianças com sintomas pós-lesão mais significativos, uma vez que as crianças que foram hospitalizadas foram excluídas da análise.

Para maiores informações, veja o tópico Concussão e traumatismo cerebral leve na DynaMed.


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