Mastectomia bilateral pode não aumentar a sobrevida em relação à cirurgia conservadora da mama com a radiação em mulheres com câncer de mama unilateral

MBE em Foco - Volume 1, Issue 16

Reference: JAMA 2014 Sep 3;312(9):902 (evidência de nível 2 [médio])
Nos últimos anos, as taxas de mastectomias bilaterais têm aumentado entre as mulheres com câncer de mama em estágio inicial (J Clin Oncol 2009 Sep 1;27(25):4-82, J Clin Oncol 2011 Jun 1;29(16):2158). No entanto, enquanto a mastectomia bilateral demonstrou reduzir a incidência de câncer da mama em mulheres com risco aumentado (Ann Oncol 2013 Aug;24(8):2029 full-text), as evidências são inconsistentes para a mastectomia bilateral como tratamento em mulheres com câncer de mama unilateral (Cochrane Database Syst Rev 2010 Nov 10;(11):CD002748). Além disso, não foram realizados estudos randomizados comparando a mastectomia bilateral com a cirurgia conservadora da mama associada a radiação. Muitas mulheres com câncer de mama têm preferência por mastectomia bilateral com base em uma percepção de benefício e podem se opor à randomização para cirurgia menos extensa, o que dificulta a realização de ensaios randomizados para esta comparação em particular. Um novo estudo de coorte de base populacional avaliou a mastectomia bilateral, a mastectomia unilateral e a cirurgia conservadora da mama com radiação em 189.734 mulheres com câncer de mama unilateral inicial (estádios 0 a III) usando dados coletados entre 1998 e 2011 do registro de câncer da Califórnia.
No total, 6,2% das mulheres tiveram mastectomias bilaterais, 38,8% tiveram mastectomias unilaterais e 55% tiveram cirurgias conservadoras da mama com radiação. A taxa global de mastectomias bilaterais aumentou durante o estudo, variando de 2% em 1998 para 12,3% em 2011. Os fatores mais significativamente associados com o aumento da taxa de mastectomias bilaterais em comparação com as cirurgias conservadoras da mama com radiação incluíram idade <50 anos, status de linfonodo positivo e histologia lobular. No entanto, os dados sobre outras informações relevantes que podem ter influenciado a decisão de tratamento (como ressonância magnética ou estados de mutação dos genes BRCA1 ou BRCA2) não estiveram disponíveis a partir do registro.

Não houve diferenças significativas na mortalidade por todas as causas ou na específica por câncer de mama comparando a mastectomia bilateral com a cirurgia conservadora da mama com radiação. Ambas as abordagens foram associadas com pequenas, mas significativas, reduções na mortalidade em comparação com a mastectomia unilateral. As mortalidades por todas as causas estimadas em 10 anos foram de 16,8% com a cirurgia conservadora da mama com radiação, 18,8% com a mastectomia bilateral e 20,1% com a mastectomia unilateral.

Este estudo apoia o uso da cirurgia conservadora da mama com radiação como primeira linha de tratamento para mulheres com estágio inicial de câncer de mama unilateral. No entanto, a falta de informação sobre potenciais fatores de confusão, como ressonância magnética ou resultados de mutação genética, história detalhada da paciente e recomendações médicas limitam a capacidade de se tirarem conclusões definitivas a partir dos dados atualmente disponíveis.

Para mais informações, veja o tópico Cirurgia para o câncer de mama em estádio inicial e localmente avançado no cancer de mama no Dynamed.


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