Tetracaína tópica de uso doméstico não está associada a retardo na cura ou aumento dos sintomas após 48 horas em pacientes com abrasão da córnea

MBE em Foco - Volume 1, Issue 5

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Reference: Acad Emerg Med 2014 Apr;21(4):374 (evidê ncia nivel 2 [médio])

A dor por abrasão na córnea é uma queixa comum em prontos-socorros. Os anestésicos tópicos, tais como a tetracaína, são conhecidos por serem eficazes na redução da dor ocular, com início rápido e curta duração da ação. No entanto, não se encoraja o uso de anestésicos tópicos em domicílio após a alta do serviço de urgê ncia devido à preocupação com complicações (incluindo retardo na cicatrização) baseada em relatos de casos e estudos em amostras teciduais e em animais. Um ensaio clínico randomizado recente comparou a segurança e a eficácia da tetracaína tópica com gotas de soro fisiológico em 122 pacientes que compareceram a um pronto-socorro com uma abrasão na córnea.

Todos os pacientes tinham uma abrasão não complicada da córnea e foram aleatoriamente distribuídos para aplicar solução tópica de cloridrato de tetracaína a 1% ou solução fisiológica, sendo acompanhados por até 1 mê s. As intervenções foram aplicadas pelos próprios pacientes em suas casas a cada 30 minutos durante o período de vigília, conforme necessário, durante as 24 horas. Todos os pacientes receberam 1000mg de paracetamol por via oral a cada 4 horas por 4 doses e pomada de cloranfenicol a 1%. Os pacientes registraram suas pontuações de dor a cada 30 minutos para as primeiras duas horas após a alta e depois a cada duas horas enquanto acordados durante as 48 horas seguintes. A segurança da tetracaína foi avaliada através da determinação de cura da córnea por meio do exame com lâmpada de fenda e captação de fluoresceína 48 horas após a alta, e na comparação de sintomas persistentes a 48 horas e a 1 mê s da alta. Os pacientes também foram convidados a avaliar o quão bem a intervenção tinha funcionado em uma escala numérica de 0 a 10 (sendo o maior número o de mais eficácia), e depois foram contatados por telefone em 1 semana e/ou 1 mê s.

Não houve diferenças significativas entre os grupos nas pontuações de dor em nenhum momento da avaliação. A absorção de fluoresceína a 48 horas ocorreu em 24% dos pacientes do grupo da tetracaína versus 21% do placebo (diferença não significativa). Da mesma forma, sintomas persistentes a 48 horas ocorreram em 17% do grupo da tetracaína em comparação com 18% do placebo (não significativa). A pontuação de eficácia auto relatada entre os pacientes que responderam após uma semana foi de 7,7 com tetracaína versus 3.9 com placebo (p

<0,0005) entre os 80 pacientes cujos dados estiveram disponíveis (66% dos inicialmente randomizados). Os resultados tanto de persistê ncia de sintomas quanto da eficácia auto relatada foram consistentes após 1 mê s. Além disso, não foram relatadas complicações atribuídas ao anestésico tópico. Um total de 29 pacientes (24%) foram excluídos das análises devido a recrutamento incorreto (5%) ou impregnação por ferrugem (19%). Os pacientes com retenção de halos de ferrugem foram excluídos porque seus sintomas persistentes foram atribuídos principalmente aos próprios halos e às repetidas tentativas de removê -los, em vez de qualquer efeito da medicação em estudo.

Nesse estudo, os pacientes classificaram a eficácia global da tetracaína tópica como significativamente superior ao placebo ao recordar sua experiê ncia em uma semana ou um mê s após a apresentação com uma abrasão da córnea. No entanto, os escores de dor registrados durante as primeiras 48 horas não favoreceram de maneira significativa a tetracaína em relação ao soro fisiológico. As razões para essa aparente discrepância não estão claras, mas a grande variação nas pontuações de dor e o fato de elas terem diminuído rapidamente para quase zero em ambos os grupos após 12 horas provavelmente contribuíram. é importante notar que esse estudo descobriu que os pacientes que receberam tetracaína não tiveram nenhuma evidê ncia de retardo na cicatrização da córnea, persistê ncia de sintomas ou quaisquer outras complicações tradicionalmente atribuídas aos anestésicos tópicos. Esses resultados destacam o fato de que estudos de laboratório que avaliam desfechos intermediários, embora sejam úteis para elucidar processos fisiopatológicos, tê m valor limitado na determinação da eficácia de uma intervenção em um cenário clínico. O uso do cloranfenicol pode limitar a generalização desses resultados, uma vez que o uso de antibióticos para abrasão da córnea é baseado em evidê ncias limitadas e pode não ser utilizado rotineiramente em muitos serviços. Também é possível que a própria pomada excipiente tenha proporcionado alívio independentemente do antibiótico, o que pode explicar a queda acentuada nos níveis de dor em ambos os grupos. Mais estudos são necessários mas, por enquanto, esses resultados sugerem que os anestésicos tópicos utilizados por 24 horas são seguros e podem ser uma opção para pacientes selecionados que vão a um serviço de emergê ncia por uma abrasão da córnea.

Para mais informações, veja os tópico

Abrasão da córnea no Dynamed.


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