Uso de luvas não estéreis, além da higienização das mãos, pode reduzir infecções de corrente sanguínea gram-positivas e associadas a cateter central em neonatos prematuros internados em unidades de terapia intensiva

MBE em Foco - Volume 2, Issue 10

Reference: JAMA Pediatr 2014 Oct 1;168(10):909 (evidência nível 2 [médio])
Estima-se que o parto prematuro ocorra em 11,1% dos nascidos vivos em todo o mundo e seja a causa mais frequente de morte neonatal nos Estados Unidos (Lancet 2012 Jun 9;379(9832):2162, Pediatrics 2006 Oct;118(4):1566). A infecção é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em recém-nascidos prematuros e medidas de prevenção de infecção são, portanto, extremamente importantes no tratamento de pacientes em unidades de terapia intensiva neonatais. A higiene das mãos e o uso de luvas são medidas simples que têm demonstrado reduzir infecções em estudos de coortes de recém-nascidos prematuros e outras populações pediátricas (Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed 2004 Jul;89(4):F336, Pediatrics 2013 May;131(5):e1515). Um estudo randomizado recente comparou o uso de luvas estéreis associado à higienização das mãos com a higienização isoladamente para todos os contatos com pacientes, leitos ou cateteres em 124 recém-nascidos prematuros <8 dias de vida na unidade de terapia intensiva neonatal. Todos os recém-nascidos incluídos tinham um peso de nascimento <1.000 gramas ou nasceram antes de 29 semanas de gestação.
O ensaio definiu higienização das mãos como o uso de desinfetante alcoólico ou a lavagem das mãos com sabão antimicrobiano. A infecção de início tardio foi definida como ≥ 1 episódio de infecção da corrente sanguínea, infecção do trato urinário, meningite ou enterocolite necrosante com sinais e sintomas clínicos em > 72 horas após o nascimento. A adesão à higienização das mãos foi de 79%. O uso de luvas não esterilizadas foi associado com um número significativamente menor de infecções gram-positivas da corrente sanguínea (15% versus 32%, p = 0,03, NNT = 6) e uma diminuição da taxa de infecções de corrente sanguínea possivelmente associadas a cateteres centrais (3,4 por 1.000 dias de cateter versus 9.4 por 1.000 dias de cateter, p = 0,01), mas não houve diferença significativa nas infecções globais de início tardio (32% vs. 45%, p = 0,13). Também não houve diferenças significativas quanto a infecções do trato urinário por bactérias gram-positivas, a infecções de corrente sanguínea ou do trato urinário por organismos gram-negativos, infecções da corrente sanguínea por Staphylococcus coagulase-negativos, tratamentos antibióticos, tempo de internação hospitalar ou morte.

Os resultados deste estudo sugerem que algumas infecções de início tardio podem ser evitadas pelo uso de luvas não esterilizadas, além da higienização das mãos, antes do contato com o paciente, leito ou cateter de recém-nascidos de muito baixo peso ao nascer e muito prematuros. Apesar de não haver diferença significativa na taxa total de infecções de início tardio entre os grupos, a taxa de infecções de início tardio foi menor do que a esperada, resultando em um teve baixo poder do ensaio para detectar diferenças entre os grupos quanto a este resultado. O uso de luvas não esterilizadas foi opcional para os pais e a extensão do uso de luvas para incluir o contato com os pais pode reduzir ainda mais a taxa de infecções. A adesão à higienização das mãos, no entanto, também foi menor que a esperada e aumenta-la pode impactar a taxa de infecção em todos os recém-nascidos prematuros.

Para mais informações, veja o tópico Prematuridade no DynaMed.


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