Pico de peptídeo natriurético atrial ao exercício pode prever desfechos negativos em pacientes com estenose aórtica grave assintomática

MBE em Foco - Volume 2, Issue 5

Reference: Heart 2014 Oct;100(20):1606 (evidência nível 2 [médio])

O momento ideal para a substituição da valva aórtica em pacientes com estenose aórtica grave ainda não está bem definido, e a estratificação de risco pode ajudar a identificar os pacientes mais propensos a se beneficiarem. Vários estudos têm demonstrado que níveis elevados de peptídeo natriurético atrial (BNP) ao repouso estão associados ao aumento do risco de desfechos desfavoráveis (Curr Cardiol Rep 2009 Mar;11(2):85, Circulation 2004 May 18;109(19):2302 full-text, Am J Cardiol 2005 Nov 15;96(10):1445, e Circulation 2007 Jun 5;11 5(22):2848 full-text). Um estudo recente avaliou a medição do pico de BNP ao exercício para a previsão dos desfechos de substituição da valva aórtica ou morte em 157 pacientes com estenose aórtica grave assintomática.

No total, 87 pacientes (55%) sofreram substituição de valva aórtica ou morte durante uma média 1,5 ano de acompanhamento. A média de níveis de BNP ao repouso no início do estudo foi de 43 pg/mL no geral (16 pg/mL no primeiro tercil, 45 pg/mL no tercil 2 e 101 pg/mL no tercil 3). As taxas de sobrevida livre de eventos em 2 anos em uma análise ajustada foram de:

•81% para picos de BNP ao exercício entre 6 e 46 pg/mL (referência)
•48% para picos de BNP ao exercício entre 47 e 94 pg/mL (p = 0.003 versus a referência)
•18% para picos de BNP ao exercício entre 95 e 956 pg/mL (p < 0.0001 versus a referência)

Um pico de BNP ao exercício >86 pg/mL foi identificado como o corte ótimo para a detecção de necessidade de substituição de valva aórtica ou morte. Quando comparado com BNP ao repouso, o pico de BNP ao exercício com o uso do ponto de corte ótimo foi associado a um melhor desempenho preditivo de troca valvar ou morte em 1 ano (p <0,0001).

Os resultados deste estudo sugerem que, para pacientes com estenose aórtica grave assintomática, a utilização do pico de BNP ao exercício pode melhorar a estratificação de risco em relação ao BNP de repouso. Isso pode ajudar a identificar os pacientes que poderiam se beneficiar de uma observação mais atenta e, potencialmente, uma intervenção cirúrgica mais precoce. A aferição do pico de BNP ao exercício pode ser parte de um ecocardiograma de estresse por exercício ou de um teste ergométrico em esteira padrão. No entanto, uma limitação significativa é a falta de validação para um pico de corte específico a ser usado para a estratificação de risco e manejo do paciente. Além disso, o uso de outros dados sobre a utilização de picos de BNP ao exercício para a estratificação de risco ainda é limitado.

Para mais informações, consulte os tópicos Estenose aórtica e Teste do peptídeo natriurético atrial (BNP) no DynaMed.


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