Qualquer atividade física, mesmo que em 1-2 sessões semanais ou em níveis inferiores aos recomendados, está associada a uma mortalidade reduzida em comparação com um estilo de vida sedentário

MBE em Foco - Volume 4, Issue 8

Referencia: JAMA Intern Med 2017 Jan 9 early online (evidência de nível 2 [médio])

  • As diretrizes recomendam que os adultos realizem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou pelo menos 75 minutos de atividade vigorosa durante a semana, mas não está claro como isso deve ser distribuído ao longo da semana.
  • Um estudo de coorte retrospectivo com mais de 63.000 adultos realizado na Grã-Bretanha categorizou os participantes, com base em suas respostas a uma entrevista, como inativos (sedentários), insuficientemente ativos (ativos, mas não cumprindo as recomendações semanais), “guerreiro de fim de semana” (cumprindo as recomendações em apenas 1-2 sessões por semana) ou regularmente ativos (recomendações cumpridas em ≥ 3 sessões por semana).
  • Em comparação com o padrão inativo, cada um dos três padrões de alguma atividade foi associado a riscos reduzidos de mortalidade por todas as causas, morte por causas cardiovasculares e morte por câncer. Ensaios randomizados são necessários para melhorar nossa compreensão sobre a influência da atividade física na saúde.

Diretrizes recentes recomendam que os adultos realizem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou pelo menos 75 minutos de atividade física vigorosa por semana, mas não fornecem recomendações fortes sobre como esse exercício deve ser distribuído ao longo da semana (World Health Organization 2010, NICE 2014, US Department of Health and Human Services 2008). Um estudo observacional anterior constatou que o exercício distribuído ao longo de 3 ou mais sessões por semana foi associado a um risco reduzido de morte, mas que a mesma quantidade de exercício distribuída em apenas 1-2 sessões foi associada a reduções de risco apenas para homens sem fatores de risco importantes tais como tabagismo ou alto índice de massa corporal (Am J Epidemiol 2004 Oct 1;160(7):636). Para avaliar as associações entre padrões de atividade física e mortalidade em uma população maior, um recente estudo retrospectivo de coorte reuniu dados coletados de 1994 a 2012 do Scottish Health Survey (SHS) e do Health Survey for England (HSE). No estudo, 63.591 adultos ≥ 40 anos (46% do sexo masculino, 93% brancos) foram entrevistados quanto a padrões de atividade física e histórico médico e de estilo de vida. Com base na entrevista, os participantes foram categorizados em um dos quatro tipos de padrões de atividade física: inativo (sem atividade, relatado por 63% dos participantes), insuficientemente ativo (alguma atividade, mas não cumprindo as recomendações semanais, relatado por 22%), “guerreiro de fim de semana” (cumprindo as recomendações ao longo de apenas 1-2 sessões por semana, relatado por 4% dos participantes) ou regularmente ativos (cumprindo as recomendações ao longo de ≥ 3 sessões por semana, 11% dos participantes). A mortalidade foi avaliada durante um seguimento médio de 8,8 anos através do registro central do British National Health Service. Os participantes que morreram dentro de 2 anos após a entrevista foram excluídos do estudo.

A morte por qualquer causa ocorreu em 13,8% dos participantes, com 4,4% morrendo por causas cardiovasculares e 4% morrendo por câncer. Na comparação com o padrão inativo, cada um dos três grupos com algum nível de atividade física foi associado a um risco reduzido de mortalidade por todas as causas. O índice de risco (ajustado para idade, sexo, tabagismo, ocupação e doença de longo prazo) para o padrão ativo foi 0,69 (IC de 95%; 0,58-0,73), com índices semelhantes para os “guerreiros de fim de semana” e os padrões insuficientemente ativos. Os riscos de morte devidos a causas cardiovasculares ou câncer também foram reduzidos. Em análises adicionais que tiveram o padrão insuficientemente ativo como referência, o padrão regularmente ativo apresentou riscos reduzidos de mortalidade por todas as causas e morte por câncer, mas não de morte por causas cardiovasculares. O padrão “guerreiro de fim de semana” não apresentou alteração dos riscos de qualquer desfecho de mortalidade em comparação com o padrão insuficientemente ativo.

Este grande estudo retrospectivo de coorte constatou que qualquer atividade física moderada ou vigorosa em adultos, incluindo atividade restrita a 1-2 sessões por semana ou em quantidade inferior à recomendada pelas diretrizes, foi associada a riscos reduzidos de mortalidade por todas as causas, por doença cardiovascular e por câncer. No entanto, a atividade física foi auto relatada em resposta a perguntas de apenas uma entrevista e, portanto, a categorização pode não refletir com precisão o estilo de vida real ao longo de muitos anos. Além disso, a generalização para outras culturas e etnias pode ser limitada, pois o estudo utilizou dados de estudos populacionais britânicos e 93% dos participantes eram brancos. Por fim, devido ao desenho observacional do estudo, fatores de confusão, tais como a possibilidade de que a saúde de um participante no momento da entrevista tenha determinado a atividade física e o risco de morte, não podem ser excluídos (embora essa limitação tenha sido mitigada pela exclusão dos participantes que morreram nos primeiros dois anos após a entrevista e pelas análises ajustadas). Ensaios randomizados são necessários para melhorar nossa compreensão acerca dos benefícios da atividade física para a saúde e dos padrões ótimos de atividade. Entretanto, este estudo fornece evidências para apoiar uma associação inequívoca e fácil de entender: qualquer atividade física, mesmo que limitada a um pequeno número de sessões por semana ou em quantidade menor que a recomendada pela maioria das diretrizes, tem benefícios para a saúde.

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