Treinamento muscular individualizado do assoalho pélvico parece melhorar sintomas em mulheres com prolapso pélvico leve

MBE em Foco - Volume 2, Issue 14

Referência: BMJ 2014 Dec 22;349:g7378 (evidência de nível 2 [médio])

O prolapso genital é um problema comum, especialmente em mulheres no pós-menopausa. Alguma perda de suporte vaginal ou uterino foi encontrada em 43% a 76% das mulheres submetidas a tratamento ginecológico de rotina, e prolapsos pélvicos de estágio I, pelo menos (segundo o sistema Pelvic Organ Prolapse Quantification), foram identificados em mais de 70% das mulheres nos Estados Unidos (Lancet 2007 Mar 24;369(9566):1027, Am J Obstet Gynecol 2005 Mar;192(3):795). O fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, o uso de pessários e as cirurgias estão disponíveis para as mulheres com prolapsos mais avançados, mas as mulheres com prolapsos assintomáticos ou levemente sintomáticos sem descida além do anel himenal são geralmente designadas para conduta expectante até que os sintomas piorem (Obstet Gynecol 2007 Sep;110(3):717, Am Fam Physician 2010 May 1;81(9):1111). Um ensaio randomizado recente comparou o treinamento muscular individualizado do assoalho pélvico com a conduta expectante em 287 mulheres ≥ 55 anos de idade com prolapso genital sintomático leve.

Neste ensaio, o prolapso pélvico leve foi definido como o limite do prolapso permanecendo acima do anel himenal e correspondeu aos estágios 1 e 2 leve no sistema Pelvic Organ Prolapse Quantification. As mulheres do grupo de treinamento muscular tiveram encontros semanais com um fisioterapeuta pélvico ao início, para avaliação e treinamento, e o intervalo entre as consultas foi ampliado à medida em que as pacientes passaram a conseguir contrair e relaxar corretamente os músculos do assoalho pélvico. Os programas de exercícios foram individualizados para cada paciente e as mulheres foram encorajadas a praticar em casa 2-3 vezes por dia por 3-5 dias a cada semana. As pacientes foram reavaliadas 3 meses após o início do tratamento ou 3 meses após a randomização para o grupo da conduta expectante. Após 3 meses, o treinamento muscular do assoalho pélvico foi associado a maiores melhoras autorrelatadas em comparação com a conduta expectante (57% vs. 13%, p

<0,001). O fortalecimento muscular também foi associado a uma melhora 9 pontos maior no questionário Pelvic Floor Distress Inventory-20 (p = 0.005) e uma melhora 5 pontos maior no questionário Urinary Distress Inventory-6 (p = 0.007) na análise ajustada. Não houve diferenças significativas nos números de pacientes com melhoras de um ou mais estágios na escala Pelvic Organ Prolapse Quantification ou nas melhoras médias em outros questionários, incluindo o Pelvic Organ Prolapse Distress Inventory-6, o ColoRectal Anal Distress Inventory-8 e o Pelvic Organ Prolapse/Incontinence Sexual Function Questionnaire-12.

Este ensaio sugere que o treinamento muscular do assoalho pélvico pode ser benéfico para mulheres com prolapso genital sintomático leve. Enquanto o treinamento teve um efeito estatisticamente significativo sobre o questionário Pelvic Floor Distress Inventory-20, os autores questionam se a diferença de 9 pontos foi clinicamente significativa, sugerindo, em vez disso, que uma diferença de 15 pontos ou mais seria clinicamente relevante, com base em ensaios anteriores. No entanto, as mulheres incluídas neste estudo tiveram sintomas mais leves ao início (pontuação média de 62,1 em 300 pontos possíveis) do que as mulheres em ensaios anteriores e a diferença clinicamente significativa mínima pode não ser a mesma nesta população. Além disso, o treinamento muscular do assoalho pélvico foi percebido como benéfico por uma porcentagem significativamente maior de mulheres em comparação com as que foram submetidas a conduta expectante. E, finalmente, embora o treinamento muscular não tenha melhorado o estágio do prolapso, a curta duração deste ensaio não permite determinar se ele pode prevenir seu agravamento. Em resumo, o fortalecimento muscular pode não ter alcançado a significância clínica que foi pré-definida, porém mais da metade das mulheres relataram melhora dos sintomas, sugerindo que o treinamento pode fornecer algum benefício para as pacientes com prolapso genital leve.

Para obter mais informações, veja o tópico

Prolapso de órgãos pélvicos no DynaMed.


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